Histórias da Barra Seca, que eu vivi.
O Umbigo Rendido
Benzedores, Benzedeiras, Curadores e Curadeiras, quem eram
estas pessoas, conheceu alguem na Barra Seca?
Hoje vou falar um pouco sobre benzimento e curativos que eram feito por pessoas que viviam no bairro Barra Seca.
Alem destas pessoas existiam as parteiras que deixava sua família e dedicava a ajudar trazer ao mundo crianças do nosso bairro. Falarei sobre uma pessoa em especial que me ajudou quando tive queimadura nos 02 braços, quando cai no forno de sabão que estava fervendo e já colocado a soda cáustica que era usado para derreter os pertences e fabricar o sabão.
Conheci alguns benzedores que benziam quando tinha uma dor que não passava, meu caso era dor nos olhos e eu fui em uma benzedeira que morava no Conrado Blanco que ficava próximo ao sitio de meu avô na Barra Seca, uma senhora da famiia Pereira que la morava.
Este problema os olhos sempre foi meu flagelo, pois hoje já fiz 06 cirurgias e continuo com problema em uma das vistas.
Alguns benzedores do meu tempo de Barra Seca, que descrevo, um era meu avô José Mane, como era conhecido, que fazia simpatia do Umbigo rendido. Outros benziam uma criança por uma dor que não passava, algumas vêzes procuravam pelo meu pai Alicio para isto, que fazia sua reza e sua oração para curar a criança adoecida.
Uma cura muito procurada era o benzimento por picada de cobra, que era comum la na Barra Seca, tais como a Jararaca, Cascavel , Urutu Dourado e Urutu Cruzeiro, este tinha uma cruz na testa, aconteceu de ser morta estas cobras bem próximo a nossa casa.
Estes bichos peçonhentos quando não matavam, aleijavam, como aconteceu com o tio Joaquim Mané, não o matou,mas deixou uma pessoa invalida, pois não tinha ânimo para nada, outra pessoa que ficou aleijado, por sinal, benzedor de confiança da Barra Seca, das picaduras de cobra, pois ele perdeu a parte da perna, Paulo de Góes Vieira, era o benzedor da mordidas de cobra conhecidos por muita gente em Fartura, quando algem era picado por uma cobra, iam atras do Paulo de Goes para o benzimento.
O Renato Ribeiro Palma tem trazido Histórias do Mario Vieira, comentando sobre as curas e benzimento da Madrinha Bilica (Brasilisia Rodrigues de Castro), provavelmente tenha herdado isto de sua Mãe, Bisavó Anna Gertrudes de Oliveira, meu avô tambem fazia simpatia para curar o Umbigo rendido.
Meu pai tambem era benzedor, herdou isto de sua Mãe Julia Paulino de Jesus.
Vou contar sobre a Parteira Rosa Fiory, quem alem de ajudar as mulheres trazer o filho ao mundo tambem fazia curativos, inclusive eu queimei os dois braços no forno de sabão, ela fez uma pomada com Alvaiade e cera de abelha e passava nos meus baços e entre os dedos colocava folha de banana para que meus dedos não colassem um no outro. Portanto alemde Parteira dona Rosa Fiory tambem era curadeira. Ficou as cicatrizes no meus dois braços e um dedo seco em parte, mas sobrevivi as queimaduras que foram bem grande, os dois braços inteiros. Vou falar da Cura do Umbigo rendido, quando este fica saltado para fóra.
Meu avô José Mané, assim que todos os conhecia em Fartura, fazia esta simpatia. Como era feito a simpatia?
Tinha que encontrar uma figueira ou galho da figueira e abrir ou rachando este ramo no meio o suficiente para passar a criança.
Depois pegava esta criança e meu avô perguntava a mãe ou pai da criança: O QUE Eu CURO, e a mãe ou pai da criança respondia Umbigo Rendido, meu avô afirmava. ISTO MESMO QUE EU CURO. E a criança passava a cabeça para as pernas por dentro da figueira rachada. Fazia isto três vezês, sempre repetindo estas palavras que os pais respondia tambem as mesmas palavras.
Ai amarrava a figueira que foi aberto toda, e com o tempo elacicatrizava.
Todas que fazia esta simpatia o umbigo voltava ao normal, sumindo o rendido.
Passei muitos anos sem ver este local, mas a ultima vêz que la estive vi a figueira e o galho onde foi feito o curativo, aquela criança sarou do umbigo rendido.
Jorge Rodrigues de Oliveira.